Polinização de culturas

2019-02-03| Category: Experimentos de Campo, Polinização de Culturas, Paisagem| website: https://www.ceh.ac.uk
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Avaliar os impactos da intensificação da paisagem e do contexto sobre a abundância e o comportamento dos polinizadores

A expansão e intensificação da agricultura têm sido ligadas a perdas de polinizadores e polinização, e embora as múltiplas pressões interajam, a limpeza e deterioração do habitat são consideradas os mais importantes motores destes efeitos. O monitoramento efetivo das populações e seu impacto sobre os serviços de polinização é, portanto, uma parte crucial para validar o custo de tal manejo. No WP2 do projeto SURPASS estamos analisando como os insetos selvagens, principalmente abelhas, fornecem serviços de polinização chave para uma série de culturas na Argentina, Brasil e Chile, e como isso é afetado por fatores paisagísticos circunvizinhos que ajudam a suportar esses polinizadores selvagens. Estamos analisando três culturas - canola, soja e mirtilo, embora apenas uma delas esteja sob investigação em todos os três países. Isso reflete o fato de que os mirtilos representam uma cultura comum nos três países focais (Brasil, Argentina e Chile) e, portanto, oferecem uma oportunidade para a implementação de um projeto experimental comum em toda a região, avaliando as dependências da polinização e os impactos sobre a biodiversidade dessa cultura.

A canola (investigada no Chile) é uma das culturas de oleaginosas mais significativas no mundo e tem se mostrado uma importante fonte de recursos para a prospecção de muitas abelhas silvestres, enquanto a soja (investigada na Argentina e no Brasil) é uma das culturas mais significativas economicamente na América do Sul.

Para cada uma dessas culturas, os sítios replicados serão investigados ao longo de um gradiente de paisagem para entender a contribuição interativa para a produção de culturas de polinizadores de insetos silvestres dependentes de uma gama de habitats naturais e semi-naturais. No caso da soja, estaremos analisando os efeitos latitudinais que interagem com a paisagem na polinização de insetos, realizando avaliações de polinizadores silvestres em quatro regiões do sul da Argentina para o Brasil, com cada local contendo múltiplos sítios de fazendas. Diferentes zonas latitudinais possuem variedades específicas de culturas adaptadas às condições locais que podem ter conseqüências diretas na forma como os polinizadores interagem dentro delas. Em cada um dos locais de estudo estratificados estaremos realizando protocolos de amostragem padronizados para os polinizadores (incluindo armadilhas para panela, caminhadas transectas e o uso de ninhos de armadilhas para monitorar as populações reprodutoras), avaliando sua contribuição para quantificar o rendimento, e a disponibilidade espacial e temporal dos recursos florais de cultivo e não-cultura dos quais dependem.

O WP2 do projeto Surpass também avaliará o impacto das espécies invasoras sobre os polinizadores nativos na América do Sul. Mais de um milhão de colônias de abelhas não-nativas (Bombus terrestris) já foram importadas para o Chile desde 1997. Esta espécie já se naturalizou e se espalhou pelo Chile e Argentina, e está prestes a entrar na Bolívia e no Peru. As evidências acumuladas sugerem múltiplos impactos negativos desta invasão nos ecossistemas naturais e agrícolas. Isto inclui o aumento do risco de extinção do nativo B. dahlbomii, devido à competição de recursos e ao extravasamento de patógenos; isto também pode afetar outros polinizadores e ameaçar a apicultura. Além disso, este invasor facilita a propagação de plantas alienígenas, como Cytisus scoparius, e pode afetar negativamente a polinização de plantas nativas (roubo de néctar, sobre a visitação). Impactos similares têm sido observados com a Apis mellifera africanizada na (sub) América do Sul tropical. Vamos avaliar como o contexto paisagístico e de manejo, políticas e marcos legais afetam a invasividade. Iremos sistematicamente mapear e quantificar os impactos para parametrizar modelos de impactos de longo prazo e desenvolver uma avaliação de risco coordenada. Isso facilitará as discussões entre os tomadores de decisão e as principais partes interessadas para ajudar a desenvolver uma política coordenada para gerenciar os impactos negativos e reduzir o potencial para estratégias conflitantes.

Investigadores
Ben Woodcock, Lorena Vieli, Maureen Murua, Francisco E. Fonturbel, Carlos Valdivia, Cecilia Smith-Ramirez, Natacha Chacoff, Mariano Devoto, Leonardo Galetto, Carolina Morales, Marina Arbetman, Marcelo Aizen, Agustin Saez, Kayna Agostini, Tiago Mauricio Francoy, Betina Blochtein, Patricia Nunes Silva, Nicolay Leme da Cunha, Rodrigo Yoiti Tsukahara
Área de Estudo
Argentina, Brasil & Chile